NORDESTE: 20 ANOS DE POLÍTICAS DE ESQUERDA E A URGÊNCIA DE UMA RUPTURA ECONÔMICA.
Depois de décadas de programas sociais, investimentos públicos e governos identificados com a esquerda, a pergunta que precisa ser feita não é quanto dinheiro o Estado ainda pode distribuir, mas por que a pobreza estrutural continua existindo.
Por Administrador
Publicado em 06/10/2026 12:06
POLÍTICA

Existe uma pergunta que durante muito tempo foi evitada no debate político brasileiro:

se o modelo adotado nas últimas décadas é tão eficiente para transformar a realidade econômica do Nordeste, por que a região ainda apresenta alguns dos piores indicadores sociais e econômicos do país?

Essa pergunta não é preconceito. Não é ataque a uma região. É uma pergunta sobre gestão pública, responsabilidade política e resultados.

Durante anos, governos de esquerda construíram sua estratégia social sobre três grandes pilares: transferência de renda, expansão da presença do Estado e aumento da capacidade governamental de distribuir recursos.

Programas como o Bolsa Família tiveram importância para milhões de famílias e contribuíram para reduzir a pobreza. Isso é um fato que não precisa ser negado.

Mas reconhecer esse resultado não significa transformar o programa em política intocável ou aceitar a ideia de que transferência de renda seja sinônimo de desenvolvimento econômico.

O Estado pode aliviar a pobreza. Mas não consegue produzir prosperidade sozinho.

O Estado pode transferir dinheiro.

Pode criar benefícios.

Pode construir programas.

Pode subsidiar determinados setores.

Pode aumentar sua estrutura administrativa.

Mas existe um limite para essa estratégia.

O governo não produz riqueza simplesmente distribuindo recursos.

A riqueza nasce da produção, do investimento, da inovação, da produtividade, do empreendedorismo e da capacidade de empresas e trabalhadores gerarem valor.

Por isso, uma política pública verdadeiramente transformadora deveria ter como objetivo final reduzir a necessidade permanente da assistência estatal.

O benefício deveria ser uma proteção para períodos de vulnerabilidade — não uma arquitetura permanente de dependência econômica.

Duas décadas depois, a pergunta continua sem resposta

Os indicadores mostram que houve evolução?

A renda aumentou em vários estados?.

A pobreza caiu?.

A extrema pobreza também recuou?.

Mas a desigualdade regional permanece gigantesca?.

Em 2024, o Nordeste concentrava aproximadamente 26,9% da população brasileira, mas 50,3% das pessoas em extrema pobreza e 45,8% das pessoas pobres do país, segundo dados do IBGE.

Isso deveria provocar uma discussão nacional.

Em vez disso, muitas vezes o debate político termina em uma solução aparentemente simples:

aumentar o benefício.

Mas aumentar o valor da transferência resolve a causa da pobreza ou apenas melhora temporariamente sua consequência?

Essa é a pergunta que a esquerda raramente responde de maneira satisfatória.

Assistencialismo não pode substituir desenvolvimento.

O problema não está em ajudar quem precisa.

Uma sociedade minimamente civilizada deve possuir uma rede de proteção social.

O problema começa quando a assistência social passa a ocupar o espaço que deveria ser ocupado por emprego, produtividade, educação de qualidade e geração de riqueza.

Quando o governo transforma milhões de pessoas em dependentes de programas públicos, cria-se uma relação perigosa entre necessidade econômica e poder político.

E essa relação deveria preocupar qualquer democracia.

Benefício social não pode se transformar em instrumento de fidelização eleitoral.

Direito social não deve ser confundido com favor político.

O cidadão não deve depender da boa vontade de um governante para sobreviver.

Deve ter condições econômicas para construir sua própria trajetória.

O erro de acreditar que mais Estado significa necessariamente mais desenvolvimento

A esquerda brasileira frequentemente parte de uma premissa: se existe um problema social, a solução é aumentar a presença do Estado.

A visão liberal parte de outra pergunta:

por que esse problema existe e quais condições impedem que a iniciativa privada e a sociedade produzam uma solução sustentável?

Essa diferença é fundamental.

Se uma empresa deseja investir, mas encontra burocracia excessiva, impostos elevados, insegurança jurídica e infraestrutura deficiente, o capital procura outro lugar.

Se um pequeno empreendedor enfrenta obstáculos para abrir ou manter uma empresa, perde-se uma oportunidade de emprego.

Se a educação não prepara adequadamente para o mercado de trabalho, aumenta-se a distância entre formação e empregabilidade.

Se a segurança pública é insuficiente, o investimento privado também sofre.

Não existe política social capaz de compensar indefinidamente uma economia que não consegue gerar produtividade.

O que uma agenda de direita faria diferente?

Uma verdadeira agenda liberal-conservadora para o Nordeste deveria começar por uma mudança de mentalidade:

parar de enxergar a região apenas como destinatária de recursos federais e passar a tratá-la como uma plataforma de produção, investimento e geração de riqueza.

Isso significa:

1. Menos burocracia

Facilitar a abertura e manutenção de empresas.

Quanto mais simples for empreender, maior será a possibilidade de surgirem novos negócios.

2. Menos dependência estatal

Manter proteção para quem realmente necessita, mas criar mecanismos que estimulem emprego formal, qualificação e empreendedorismo.

3. Mais iniciativa privada

Atrair capital nacional e estrangeiro para infraestrutura, turismo, energia, indústria, tecnologia, agricultura e serviços.

4. Educação baseada em resultados

Não basta colocar estudantes dentro da escola.

É necessário garantir alfabetização, matemática, formação profissional e competências que aumentem a capacidade de inserção no mercado.

5. Segurança pública

Sem segurança, não existe ambiente saudável para empreender.

O combate ao crime precisa deixar de ser tratado apenas como questão social e passar a ser encarado também como condição para o desenvolvimento econômico.

6. Responsabilidade fiscal

Não existe programa social gratuito.

Todo benefício é financiado por impostos, dívida pública ou redução de outras despesas.

O governo precisa explicar de onde vem o dinheiro e quanto tempo determinada política poderá ser sustentada.

O potencial econômico está subaproveitado.

A maior contradição talvez esteja justamente aqui.

A região possui condições extraordinárias para turismo, geração de energia renovável, agricultura, indústria, comércio, logística e economia digital.

Há sol.

Há vento.

Há litoral.

Há capacidade agrícola.

Há grandes centros urbanos.

Há potencial turístico gigantesco.

Há localização estratégica para relações comerciais.

O que falta não é necessariamente potencial.

Falta transformar potencial em produtividade.

E isso exige capital, infraestrutura, segurança jurídica, educação e liberdade econômica.

O Bolsa Família não pode ser o projeto de desenvolvimento.

Essa talvez seja a afirmação mais controversa deste editorial.

O Bolsa Família pode ser uma importante política de proteção social.

Mas não pode ser confundido com um projeto de desenvolvimento econômico.

Um país não se torna rico porque aumenta benefícios.

Torna-se rico quando aumenta produtividade, investimento, inovação, salários e capacidade de produção.

O objetivo deveria ser fazer com que o programa social se torne progressivamente menos necessário para quem possui condições de trabalhar.

Não porque o Estado deva abandonar os vulneráveis.

Mas porque a verdadeira vitória contra a pobreza acontece quando a renda proveniente do trabalho supera a necessidade da assistência.

A esquerda precisa responder.

Depois de aproximadamente duas décadas de forte presença política da esquerda no debate nacional e de grande expansão das políticas de transferência de renda, algumas perguntas permanecem legítimas:

Por que a dependência de programas sociais continua tão elevada?

Por que a renda regional permanece abaixo da média nacional?

Por que investimentos públicos realizados durante décadas ainda não eliminaram gargalos históricos de infraestrutura?

Por que a produtividade continua sendo um problema?

Por que tantos jovens ainda encontram dificuldade para transformar educação em emprego de qualidade?

Não são perguntas contra uma região.

São perguntas contra um modelo de gestão pública.

A proposta de ruptura.

Uma agenda de direita não precisa defender o abandono das políticas sociais.

Precisa defender algo mais ambicioso:

que a assistência social deixe de ser o destino final e passe a ser uma ponte para a autonomia econômica.

O Estado deve proteger quem não consegue se proteger sozinho.

Mas quem pode trabalhar precisa encontrar trabalho.

Quem quer empreender precisa encontrar liberdade.

Quem quer investir precisa encontrar segurança jurídica.

Quem quer estudar precisa encontrar uma escola que entregue resultados.

E quem produz precisa encontrar um ambiente econômico que não transforme cada iniciativa empresarial em uma batalha contra a burocracia.

O verdadeiro desenvolvimento.

O Nordeste não precisa ser eternamente apresentado ao Brasil como um território que espera recursos de Brasília.

Essa visão é pequena.

A região pode ser uma das grandes forças econômicas do país.

Mas isso exigirá uma mudança de paradigma.

Menos dependência.

Mais liberdade econômica.

Menos burocracia.

Mais investimento.

Menos paternalismo estatal.

Mais responsabilidade individual.

Menos política baseada em benefícios.

Mais política baseada em oportunidades.

A questão central não é simplesmente esquerda contra direita.

É decidir qual modelo será capaz de produzir resultados sustentáveis.

A esquerda aposta na capacidade do Estado de proteger e redistribuir.

A direita liberal-conservadora aposta que o Estado deve proteger os vulneráveis, mas a sociedade produtiva, o empreendedor e a iniciativa privada precisam voltar a ocupar o centro da geração de riqueza.

Depois de décadas de políticas assistenciais, talvez tenha chegado a hora de fazer uma pergunta ainda mais ambiciosa:

E se o próximo grande programa de combate à pobreza não fosse um novo benefício, mas uma economia capaz de produzir milhões de oportunidades?

Essa seria, talvez, a verdadeira ruptura.

Porque o objetivo de uma política social eficiente não deveria ser aumentar eternamente o número de pessoas que precisam do Estado, mas diminuir o número de pessoas que precisam dele para sobreviver.

 

FONTE: ADAHYLTON TENÓRIO - DIRETOR GERAL

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